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A questão da água em nossa Mairi é tão importante que estamos planejando uma nova aba temática com esse nome "ÁGUAS DE MAIRI" enquanto isso é feito vamos reproduzir uma importante reportagem sobre o tema

💧 Preservação de Nascente no Parque do Utinga Garante Água de Graça para a População de Belém

Por Dilson Pimentel – 17 de março de 2024

Em meio ao crescimento desordenado de Belém, olhos d’água e nascentes ainda resistem em alguns pontos da cidade, oferecendo à população uma fonte gratuita e natural de água. No Parque Estadual do Utinga, uma nascente comprovadamente mineral garante água limpa e acessível para centenas de moradores.

Água mineral de graça e acessível

Durante o dia, é comum ver pessoas chegando de bicicleta ao Parque, carregando garrafões para encher com a água cristalina da nascente. O acesso é livre e gratuito, e muitos utilizam a água tanto para o consumo próprio quanto para revenda a preço popular — cerca de R$ 5 por garrafão, metade do valor comercial.

O vigilante José Henrique Silva, 57 anos, frequenta o local há duas décadas:

“A água, por si só, já é uma bênção. Nosso corpo é formado por 70% de água. Você pode até ficar sem alimento, mas sem água ninguém vive.”

Morador do Entroncamento, José Henrique vai de bicicleta ao parque até três vezes por semana. Quando sobra água, ele distribui para vizinhos em troca de uma ajuda de custo simbólica.

Acesso e orientação

Segundo o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-Bio), responsável pela gestão do Parque Estadual do Utinga, o acesso à bica é permitido de segunda a sexta, das 6h às 14h, e aos finais de semana e feriados, das 8h às 12h.
O órgão ressalta que a água vem diretamente do lençol freático, e orienta os visitantes a manter o local limpo e preservado.

O valor das nascentes urbanas

Além do Utinga, há quatro nascentes registradas no Residencial Bosque Felizcidade, no bairro do Mangueirão, entre elas a Nascente do Arancuã, sinalizada com uma placa que pede: “Preserve a nossa fonte de água viva.”

O mecânico Ismael Pinto, 70 anos, conta que utiliza a água gratuitamente para beber e cozinhar:

“Isso aqui é uma dádiva de Deus. Quando a gente não tem dinheiro pra comprar água, vem aqui e tem água disponível. Um garrafão custa no mínimo R$ 10.”

Já o microempreendedor Eduardo Cravo, morador há 20 anos, destaca a importância dessas fontes:

“Quando o sistema de abastecimento falha, recorremos à nascente. É uma água potável, de muita qualidade. O fundamental é preservar o entorno, evitar produtos químicos e manter as árvores para que as nascentes não morram.”

Desafio da urbanização e importância do mapeamento

A geóloga Aline Maria Meiguins de Lima, professora do Instituto de Geociências da UFPA, explica que a urbanização intensa de Belém ameaça a sobrevivência dessas nascentes, que dependem da conservação de áreas verdes ao redor:

“A presença de nascentes em áreas urbanas parece impossível, mas elas trazem enorme benefício ambiental e social, ajudando a dissipar alagamentos e oferecendo lazer e qualidade de vida.”

Ela alerta que as nascentes urbanas podem desaparecer, devido ao despejo de lixo e efluentes. Segundo Aline, a melhor estratégia é mapear o que ainda existe e criar planos de revitalização das bacias hidrográficas, garantindo “corredores verdes” e integrando essa política ao plano diretor da cidade e às ações de saneamento básico.

Benefícios da preservação

As nascentes, quando mantidas vivas, proporcionam múltiplos benefícios:

  • Abastecimento de água potável para comunidades;

  • Controle de cheias e marés;

  • Espaços verdes e de lazer;

  • Recarga de aquíferos subterrâneos;

  • Segurança hídrica e equilíbrio ambiental.

“Investir em uma cidade que respeita suas águas é investir em convivência, não em conflito”, conclui a geóloga.

Água para a paz

A Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu, em 22 de março de 1992 — durante a Eco-92, no Rio de Janeiro — o Dia Mundial da Água, celebrado anualmente. Em 2024, o tema é “Água para a Paz”, reforçando a importância do acesso justo e sustentável aos recursos hídricos como caminho para o equilíbrio social e ambiental.


🌎 Conexão com o Projeto Mairi

O Mairi — Ancestralidade Digital integra esse debate ao propor o mapeamento colaborativo das nascentes e águas vivas de Belém, conectando tecnologia livre, saberes locais e educação ambiental.
Acesse o mapa interativo:
👉 mairi.lablivre.tec.br/osm-mapa.html

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