Ancestralidade digital

No contexto do projeto Mairi – Ancestralidade Digital, o termo Ancestralidade Digital representa o encontro entre os saberes tradicionais e as linguagens tecnológicas livres, transformando o código e a luz em instrumentos de expressão cultural. São recursos interativos criados pelo Mairi – Ancestralidade Digital que unem arte, ciência e espiritualidade amazônica em experiências sensoriais digitais.
Esses experimentos — Tambores do Céu, Artefatos Virtuais e Dança do Sol — funcionam como extensões simbólicas do corpo e da natureza, traduzindo elementos ancestrais para a linguagem do navegador.

Tambores do Céu

🔗 https://mairi.lablivre.tec.br/apps/tambores.html 
Inspirado na força rítmica das culturas afro-amazônicas, Tambores do Céu é um aplicativo em JavaScript sensível à variação de luz solar captada pela câmera do dispositivo.
Conforme a luminosidade se altera, o sistema reage emitindo sons diferentes — graves em luz intensa, agudos em penumbra — criando um ritual digital que converte a energia do sol em ritmo.
Cada batida sonora é resultado da interação entre o ambiente e o usuário, transformando a natureza em instrumento e o navegador em tambor.

Tecnicamente, o código utiliza sensores ópticos e variações de brilho para modular frequências sonoras, simulando um tambor solar vivo.
Artisticamente, representa o diálogo entre o corpo, o tempo e a atmosfera amazônica — um toque de tambor que responde à presença da luz.


Artefatos ancestrais virtuais

🔗 https://mairi.lablivre.tec.br/virtual/ 
Os Artefatos Virtuais são objetos tridimensionais digitais desenvolvidos em formatos interativos e abertos (WebGL/HTML5).
Essas peças reinterpretam elementos simbólicos da cultura amazônica — como muiraquitãs, folhas, rios e aves — em esculturas digitais que podem ser exploradas pelo navegador.
Ao movimentar o mouse ou o celular, o público “toca” os objetos e ativa movimentos, luzes e sons, criando uma experiência imersiva e contemplativa.

Esses artefatos funcionam como muiraquitãs digitais, portadores de memória e proteção, que conectam a ancestralidade à contemporaneidade tecnológica.
Eles demonstram como o patrimônio cultural pode se expandir para o ciberespaço, mantendo o sentido espiritual e estético das tradições amazônicas.


Dança do Sol

🔗 https://mairi.lablivre.tec.br/apps/danca.html 
A Dança do Sol é um experimento de arte-luz interativa, em que o navegador do celular detecta o brilho ambiente e o transforma em movimento visual e sonoro.
O aplicativo utiliza sensores de luminosidade para criar padrões animados que dançam com a variação da luz natural, representando o ciclo diário do sol sobre a floresta e a cidade.

É uma performance digital da natureza, em que o usuário participa como mediador entre o céu e a tela.
O brilho solar, convertido em arte generativa, simboliza a continuidade da energia vital que conecta os povos amazônicos às suas cosmologias ancestrais.


A Ancestralidade Digital do projeto Mairi mostra que as tecnologias livres também podem ser ferramentas espirituais e poéticas.
Cada recurso é um modo de ouvir o sol, tocar o vento e ver o código como linguagem viva da floresta.
Mais do que instrumentos tecnológicos, esses experimentos são pontes entre a ancestralidade e o futuro, revelando que o digital pode carregar — e reencantar — o espírito da Amazônia.